Introdução

Bom, acho que todo mundo só de ouvir a frase: "fale um pouco sobre você" já treme na base e eu, como sou bem parecida com todo mundo nesse aspecto também fico em pânico.

Lógico, eu poderia chegar aqui e falar que me chamo Gabrielle, mas que todo mundo me chama de Gabi, que sou advogada, formada há quase 5 anos e sim, continuo atuando na área. Poderia contar sobre minha família, meus gostos e desgostos, mas querem saber de uma coisa? Isso acho que vocês vão acabar descobrindo aos poucos e ao longo do tempo.

Na realidade acho que nada melhor pra me introduzir do que um texto escrito por mim.

Então vamos lá!

Só pra contextualizar, esse texto é bem antigo, mas eu gosto muito dele, porque define bastante a forma como eu gosto de escrever. Ele foi criado como parte de um desafio literário, sendo que a ideia era criar um epílogo para o livro "A Culpa é das Estrelas" do John Green.

Espero que gostem e a gente se vê em breve!

Epílogo – A Culpa é das Estrelas

5 anos depois..

Hazel está sentada em um pequeno café próximo à universidade, é o mês de outubro, então o tempo já está bem frio, com o vento do lado de fora balançando as árvores e fazendo traquinagens com os chapéus, lenços e gravatas dos pedestres.
Enquanto esquenta suas mãos em uma xícara de café, ela observa as pessoas na rua. O tempo passou e sua vida mudou muito nos últimos 5 anos, o pós Gus como gostava de chamar. Se formou na faculdade, iniciou seu mestrado e estava trabalhando. Sua família também tinha seguido em frente e depois de tantas provações, estavam todos finalmente bem.
Distraída, Hazel não percebe que está com um leve sorriso no rosto. Quando volta os olhos para o interior do café, repara no jovem sentado na mesa em frente a sua, sorrindo em sua direção.
Ele era bonito de um jeito casual, Hazel havia aprendido com todas as provações de sua vida a apreciar os detalhes e a beleza nas pequenas coisas na vida. Observando-o notou que seus cabelos eram cacheados e loiros, e estavam levemente despenteados, como se o vento os tivesse bagunçado, mas ainda assim o deixando com uma aparência adorável. Seus olhos eram uma mistura de verde e azul, daqueles que mudam conforme a luz do local. Seu rosto era retangular e levemente oval, com um nariz que contava uma história de traquinagem e os lábios que agora sorriam com intensidade para ela, eram cheios, com uma aparência quase feminina.
O café era pequeno, fazendo com que as mesas ficassem bem próximas umas das outras, criando um ambiente mais aconchegante, quase como o de uma casa para as pessoas que o frequentavam. Por isso, sem se levantar, Hazel o olhou novamente, ainda com um sorriso nos lábios e perguntou:
- Espero que esse sorriso não seja por causa de algum bigode de café que eu esteja.
- Claro que não. Se eu disser que estava apreciando a vista você vai dizer que sou um clichê ambulante. Então vou partir para o lado mais poético. – Disse ele rindo. – Estava contemplando a paz e tranquilidade que você estava transmitindo. Daria tudo para estar em seus pensamentos e saber o que a estava fazendo tão feliz.
Hazel se levanta e senta-se à mesa do seu mais novo amigo, afinal, pessoas estranhas são apenas amigos que não fizemos e ela levava esse ditado à risca quando se tratava de conhecer novas pessoas. Finalmente, diz:
- Estava pensando em várias coisas, dificilmente me contento em pensar em apenas uma coisa por vez, a vida é muito curta para sermos mesquinhos com nossos pensamentos. Uma pessoa muito importante pra mim me ensinou que na vida, às vezes precisamos colocar nossos medos e inseguranças entre os dentes e impedir que nos façam mal. Você já ouviu falar na metáfora do cigarro?
- Hmm, confesso que não me lembro de ter ouvido nenhuma metáfora que envolvesse cigarros.
- Bem, eu costumava conhecer um sábio, um jovem sábio, podemos chamá-lo assim. Ele sempre andava com um cigarro entre os dentes, mas nunca o acendia. Um dia eu perguntei a ele o porquê disso e se ele sabia que o cigarro poderia matá-lo. Ele me respondeu: “É uma metáfora, eles não matam se você não acender. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço.”
- Nossa, esse seu amigo era realmente muito sábio.
Com um sorriso triste Hazel respondeu:
- Ele era mais que um amigo, era um irmão, um mentor, uma alma compatível.
- Eu sinto muito, não sei o que aconteceu com ele, mas sei que é uma pena eu não tê-lo conhecido.
- Não sinta, existem coisas na vida que acontecem por um motivo. Nós vivenciamos exatamente aquilo que precisamos aprender pra evoluirmos como pessoas e as coisas e pessoas ao nosso redor fazem parte desse aprendizado por diferentes períodos de tempo. Gus fez parte da minha vida por um curto, porém intenso pedaço de tempo e levarei seus ensinamentos pro resto da minha vida. Hey, falando nisso, já que somos amigos agora, porque você não me fala seu nome.
- Hahaha claro, como pude me esquecer. Você é tão fascinante que perguntar um nome nem me passou pela cabeça. Meu nome é John Carter, mas pode me chamar de Johnny amiga.
- Bom Johnny, meu nome é Hazel Grace e pode me chamar do que você quiser, não tenho apego sentimental a nenhum apelido. AH MEU DEUS!! Eu não acredito nisso?!
Johnny olha espantado para os lados, procurando a fonte de tamanha euforia. Quando percebe que Hazel está olhando para seu exemplar gasto, ainda que bem conservado de Uma Aflição Imperial de Peter Von Houten.
- Você é fã? Perguntou Johnny, apontando para o livro.
- Bem, eu costumava ser fã do autor e do livro, mas hoje em dia sou só fã da obra mesmo.
- Algum motivo especial? Eu confesso que acho a obra incrível, já reli umas cem vezes, mas sempre achei que o autor passava um ar de melancolia que não parecia combinar com alguém que escreve tão bem.
- Se eu te contar que eu o conheci pessoalmente e essa imagem não é apenas uma impressão, mas a realidade, você acreditaria?
- Claro que acreditaria, você me parece capaz de fazer tudo. - Disse sorrindo novamente.
Hazel sorri de volta e responde:
- Olha, eu não sei quanto essa parte de fazer tudo, mas eu sei que quando o conheci, pelo menos pude provar a minha teoria sobre ele.
- Que teoria?
- Que ele é a única pessoa que eu conheço que parece (a) entender o que é estar morrendo e (b) não ter morrido.
- É uma boa teoria, apesar de não saber como isso me faz sentir. Pensar que alguém pode ser tão profundo e ao mesmo tempo tão atormentado. Essa é uma obra daquelas que você lê e relê, que você pega da metade só para entrar no meio de uma cena, que você divaga sobre o futuro das personagens depois da última página, é um daqueles livros que você retira frases e as guarda consigo. Hey, sabe aquela cena em que a Anna..
E foi assim, sentada naquele pequeno café, conversando com Johnny sobre as nuances e perspectivas de Peter Von Houten, em uma bela tarde de outono, que Hazel soube de fato que sempre levaria Gus e suas experiências e ensinamentos consigo, mas que também seguiria em frente e seria feliz todos os dias de sua vida, sendo capaz de sorrir e se entregar para vida quantas vezes tivesse a oportunidade, sabendo que no fim, tudo ficaria bem.

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